Nossos navegadores se precipitam num ato corajoso: porque criar ainda é preciso, tratam de si para chegar no outro, na coletividade. Buscam nos labirintos evanescentes da memória íntima e familiar, a matéria com a qual forjam seus corpos e seus inventos. E por falar nisso, No módulo “fotografia e territórios da memória” seguimos algumas pistas do emaranhado ético-estético do fazer artístico no que diz respeito a lembrar e ‘não deixar esquecer’, a ‘afetar-se e afetar’. Lembrança como prática, como ação, gesto político, como invenção. E por tocar nessa última palavra, eu, criança que já escutava de cedo “cheio de invenção esse daí”, sempre me ouricei com a sutil tensão que envolve o termo entre o taxativo e a exaltação dos feitos de alguém. Manoel de Barros é quem nos salva com a sentença: ‘eu sou da invencionática’. Somos. Existir no mar é esse intento que desponta acima do horizonte com a brevidade de uma onda, na certeza de logo retornar à infinita profusão do coletivo. No mar todas as invenções são pequenas, todas as invenções são precisas.
Felipe Camilo, fotógrafo e professor do módulo “Fotografia e territórios da memória”

Sobre o Módulo 2 – Fotografia e territórios da memória
O módulo “Fotografia e territórios da memória” do programa PREAMAR abordou práticas artísticas que, em diálogo com ferramentas da antropologia, filosofia e literatura, colocam o artista e sua obra como vetor de experiências das coletividades com as quais se envolvem. Dessa maneira, questões éticas [de gênero, sexualidade, racismo e classe] foram trabalhadas na relação fotógrafo/sociedade. Foram desenvolvidos atlas [pranchas gráficas, constelações visuais] como ferramenta de desenvolvimento de projetos de arte.

Imagem do projeto “Perecível”, de Felipe Camilo

Sobre Felipe Camilo
Negro. Cearense. Nordestino. Brasileiro. Artista Visual com enfoque em fotografia e cinema. Dedica-se ao documental e à experimentação. Pesquisador pela Universidade Federal do Ceará com bolsa CAPES, desenvolve tese nas áreas de antropologia, imagem, memória, periferia e cidade. Desenvolve desde 2015 o ‘Projeto Perecível’ de imagens reveladas com a clorofila de folhas relacionando-se por meio de retratos, ruínas e seu álbum de família à história e geografia da capital onde nasceu – Fortaleza/Ce. Agregando relatos e haicais, o projeto circula desde o começo de 2018 como fotolivro e em exposição tanto no Ceará como em eventos nacionais e internacionais como a exposição da Anpocs – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais em Minas Gerais e a Mostra de Fotografia Etnográfica da RAM – Reunião de Antropologia do Mercosul na Argentina. Atualmente circula no nordeste do país nos Centros Culturais BNB. Teve suas obras etnográficas e de ficções biográficas à mostra em salas de exposição do Centro Dragão do Mar, da mostra Sesc Cariri de Culturas, do “Encontros de Agosto”, do “Verbo Ver Festival de Fotografia” e da Universidade Federal do Ceará. Com intervenções com monóculos e ‘lambe-lambe’ colaborou com o ‘Festival Concreto de Arte Urbana’ e com o ‘68º Salão de Abril Sequestrado’ em Fortaleza. Atuando como realizador/documentarista, é ganhador do Prêmio de melhor roteiro no Cine Ceará 2017 e aquisição Canal Brasil de melhor curta com ‘Memórias do Subsolo ou o Homem que cavou até encontrar uma redoma’. O filme esteve na programação de diversos festivais brasileiros de cinema. Com apoio da Secult/Ceará, dirige a 2ª Ed. do projeto-documentário “Mapadoc – Cartografias da Cultura Cearense”.