“Cavalos-Marinhos” surgiu com o processo, com os ensaios, com a vivência e com a mutação do que fomos construindo durante a criação das cenas.
Enquanto “Muros Agudos Iguais a Fome” foi nosso “start”, onde tudo começou, foi nosso embasamento de texto e  inspiração para impulsos de pesquisa do que levamos pros ensaios.
Era olhar a sociedade e sentir tudo que pesa e que ela carrega, o quanto interfere, afeta e não muda ou muda. O que a vida permeia com o que já temos, o que é sólido e contido. O que é trabalho, repetição, exploração, fome, desigualdade, abuso de poder, censura, mulher, homem, o que é o tempo atual vivido e o que ele pode representar para cada um. Deixou de ser muros quando criou forma, cor, brilho, fluidez, cena, quando passou a existir, tornando-se apresentação, história e revelando-se festa numa corrente onde todos estavam perdidos no que tinham descoberto, estavam perdidos e fracassados no tempo. Agora era água, era bicho, era zumbido de som, mas ali já era Cavalos-Marinhos, não existia mais nada preso nem rígido como o que se pode ouvir de primeira impressão quando se escuta a palavra: Muros. Por mais parecido que seja, era o simbólico representando o que seria visto.

Ana Vitória Almeida – vihalmeid@gmail.com

 

Fotos Rafaela Leite