O Projeto corpA-guerrilha foi desenvolvido pela artista Rafaela Teixeira, durante o Preamar 2019, sendo apresentado na exposição “Pequenas invenções para existir no mar“.

Texto da artista Rafaela Teixeira:
Performance em que minha corpa veste da argila branca e vermelha, suportando o peso de uma rocha amarrada nas costas, como costura simbólica, preparo minha corpa com argila e monto possibilidades estratégicas para tecer caminhos frente às raízes e a lama do mangue. A raiva e o desejo de construir um corpo de combate surgem aqui como disparos para o processo criativo e é um tensionamento a partir da figura de guerra Bárbara de Alencar, primeira presa política do Brasil. Tecemos formas de existência, que entra em quebra com o atual governo, mas antecessor a isso, o inconsciente-capital-colonialista cria um mundo apocalíptico que impede a presença de corpos errantes e disformes, impulsiona um pensamento neoliberal que tem como respaldo uma política da devastação. A corpA-guerrilha é a potencialidade que se move e invade o mundo, possibilitando uma força de impacto para possibilidades de criação e de enfrentamento. O ato de tecer caminho(s) nas raízes do mangue surge a partir da tecelã, da aranha, que nas tradições xamânicas, tece a teia como tecemos nossa realidade, e permite a reinvenção da vida.

Rafaela Teixeira (Fortaleza – CE, 2000). Artista-pesquisadora, investiga questões relacionadas ao corpo, apropriando-se da gravura, do desenho, da escultura e da performance a fim de tencionar questões de gênero. Atualmente, pesquisa uma poética para construir potências subjetivas com o desejo de romper um sistema cartesiano de pensamento e fazer fissura a um regime que regulamenta ficções de poder contra uma corpa dissidente. Partindo-se dessas questões, constrói lugares, ou possíveis não-lugares, de memória-afetiva e de deformidade corporal, apropriando-se de um corpo maquínico pós-quarentena, em process de tecitura, junto da materialidade orgânica a fim de contrapor um sistema progressista e pautado na devastação.

Participou do Percurso Básico de Artes Visuais e do PREAMAR na Escola Porto Iracema das Artes. Participou do GEEFA – Grupo de Estudos em Estética e Filosofia da Arte na UFC (2019). Participou da exposição “Monólitos” em Aracati-CE (2020), da exposição “Poéticas da Existência” no Rotas de Criação do Porto Iracema das Artes (2019), da bienal “XVII International Contest of Small Graphics & Exlibris Ostrów Wielkopolski” na Polônia (2019), da exposição “Os pensamentos do coração” na Casa Absurda (2019), da exposição “Alusão – livre criação sobre o olhar fotográfico” no Museu de Arte da UFC (2019) e da exposição coletiva “Pequenas invenções para existir no mar” no Porto Iracema das Artes (2019).

Para acessar a performance acesse o link aqui – corpA-guerrilha 

Segue algumas imagens de esboços em desenho do projeto durante as orientações com a Waléria Américo. Os processos apresentam a transição e modificação da linguagem passando da escultura para a performance.

Fotos: Iara Alves e Alamo Morais