Sendo o programa PREAMAR a união dos diversos alunos dos diversos percursos em prol da construção de um processo cênico, a primeira etapa consiste na apresentação, estudo, e leituras de mesa para experimentação dos textos dramáticos produzidos pelos alunos do Percurso Ateliê de Escrita Dramática.

Assim como o Percurso Práticas do Ator e demais percursos de formação nas linguagens cênicas, ele também aconteceu ao longo do primeiro semestre de 2019. Durante cerca de 04 meses, alunos receberam formação em escrita dramática para audiovisual e teatro e se experimentaram em uma dessas linguagens, de acordo com escolha e propensões individuais. Ofertado em parceria com a Coordenação dos Cursos Básicos em Audiovisual, o percurso propõe uma apresentação geral sobre dramaturgia e suas possibilidades criativas para a cena, independente da linguagem. Após isso o percurso propõe um aprofundamento nas linguagens audiovisual e teatral e suas especificidades de criação e escrita. Somente então os alunos escolhem em qual linguagem desejam se exercitar criativamente. Eis a estrutura do percurso:

Percurso Ateliê de Escrita Dramática: O ateliê consiste numa experiência de estudo e criação em dramaturgia para teatro e cinema. Ao longo do processo, cada participante desenvolverá seu próprio roteiro de curta-metragem de ficção ou peça teatral.

 A forma dramática, com Carlos Rabelo:  Apresenta e discute os fundamentos da forma dramática (conflito, ação, personagem, fábula etc.) e sua atualização na criação contemporânea.

Ateliê de escrita 1 – a forma teatral, com Edilberto Mendes: Propõe diferentes possibilidades de construção de cenas experimentando a forma dramática no teatro.

Ateliê de escrita 2 – a forma audiovisual, com Janaína Marques: Apresenta e discute as etapas de roteirização: ideia, sinopse, descrição das personagens e argumento. Propõe exercícios de criação e recriação de cenas para cinema.

Ateliê de escrita 3 – criação narrativa audiovisual e criação narrativa teatral, com Pablo Arellano (audiovisual) e Edilberto Mendes (teatro): Nesse módulo serão desenvolvidos os projetos de escrita de roteiros de curta metragem de ficção ou peça teatral na forma breve.

O primeiro módulo buscou tratar sobre questões dramatúrgicas de forma geral e contou com a orientação do professor Carlos Rabelo que tratou de temas como: definições de drama em Hegel, Aristóteles, Peter Szondi e Martin Esslin; gêneros dramáticos, drama e política, jogos de escrita criativa, dramaturgista e dramaturgo, conflito e estrutura dramáticos, teoria dos três atos, ironia dramática, suspense e reviravolta, comédia, gêneros e subgêneros, ferramentas da escrita cômica, troca de identidade, quiproquó, status (dupla cômica), jornada do herói, elementos textuais, técnica de diálogo, orientações práticas, leitura dramática, tragédia, erro trágico, unidades aristotélicas, nó e desenlace dentre tantos outros assuntos tratados em sala de aula.

Carlos Rabelo é escritor, ator, diretor, tradutor e músico, com mestrado em Letras pela UFG (Universidade Federal de Goiás) sobre o ensino da dramaturgia. Atualmente faz doutorado em Artes Cênicas pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), onde desenvolve pesquisa sobre commedia dell’arte e a Escrita Criativa voltada para a comédia. Entre suas obras encenadas destacam-se a comédia Alfândega, que estreiou em 2013 sob direção do autor, e a tragédia Hora de fechar, do mesmo com ano, com direção de Alan Foster. Entre suas traduções se encontram peças de teatro de Strindberg, Ibsen, Lars Norén e Per-Olov Enqvist, encenadas por diretores como Chico Medeiros, Malu Bazan e Eduardo Tolentino. Também traduziu diversos autores da Literatura Sueca, editados pela Editora Hedra e Companhia das Letras.

Fotos Té Pinheiro

Os módulos específicos sobre a linguagem teatral foram ministrados pelo professor Edilberto Mendes (Edil, acho que aqui cabe uma fala sua sobre o processo e sua minibio)

Fotos Té Pinheiro

Foram sete alunos na turma teatral e quatro textos apaixonantes em suas possibilidades cênicas apresentados ao fim do percurso e para o começo do processo PREAMAR. Veio então o delicado ato de escolher dentre esses, apenas dois. As questões para escolha desde o início foram postas: não apenas escolher mediante o texto que mais afetou individualmente, mas pensar nas possibilidades dessa escolha textual a partir do corpo de atores disponíveis, a partir dos diretores disponíveis, a partir dos seus recursos individuais próprios, mas também a partir da estrutura e recursos materiais disponíveis como um todo. Uma escolha, portanto, em que variáveis diversas tiveram que ser levadas em consideração.

Ao longo dessas leituras que aconteceram nos dias 21, 23, 26 e 28 de agosto de 2019, foi possível perceber as enormes diferenças entre ler um texto sozinho em sua casa e experimentá-lo em coletivo expondo as diversas e muitas vezes divergentes opiniões sobre os mesmos. Muitas ideias já estabelecidas na leitura solitária foram completamente revistas e reconstruídas ao longo das leituras dramáticas de mesa em coletivo, ao longo das discussões das quais participaram os atores, os autores, os diretores e também a coordenação. Um momento frutífero de descobertas para o processo que seguiria.

Todos os alunos atores elegeram duas opções, sem ainda estar em questão quem faria qual texto. Coordenação e diretores, em reunião, no dia 30 de agosto, e a partir da eleição dos alunos chegaram numa conclusão que veio já bem estabelecida pela própria votação, levando em consideração exatamente os mesmos critérios apontados aos alunos.

Ângela Soares

Fotos Ângela Soares