Durante os ensaios nos demos conta de como o fato de receber pessoas de fora pode mudar nosso olhar e postura sobre o trabalho, apesar de termos despertado algo que já sabíamos que era pra estar acontecendo, independente se teria alguém vendo ou não, antes de termos uma visita nem tudo estava fluindo. Pois o corpo e a mente precisavam estar entregues e imersos nos ensaios para que quando chegasse o dia da apresentação o espetáculo pudesse sair conforme pensávamos. Mas no entanto não foi o que aconteceu, precisamos recepcionar olhares externos para mexer conosco e lembrarmos que estávamos ali fazendo teatro.

E assim foi feito, recebemos Ângela e Loreta para assistir o processo da montagem do espetáculo durante o processo de ensaio. A sensação de ter alguém assistindo mudou completamente nossa energia. Nos fez ter mais vontade de estar ali fazendo. Mas lembramos também que ensaiar e atuar requer essa presença sempre, independente de plateia ou não. Foi bom para exercermos isso nos próximos ensaios.

A energia e os corpos foram bem mais coerentes do que dias antes, sentimos o espetáculo como todo pela primeira vez. Pois antes estava sendo trabalhado em blocos.

Tivemos erros e acertos. Visualizamos que as falas precisam ser melhor trabalhadas, menos jogadas, mais articuladas e pensadas no que se diz. Qual a intenção de cada um com aquela fala? O que está por traz dela e como ela cabe em nossa boca? Será que ela pode ser modificada? Ou aquilo está em coerência? Ficou a questão do que poderemos fazer com ela.

Outro ponto marcante foi sobre a fluidez entre os estados. Que eles não precisam ser blocados, mas podem acontecer de forma natural e fluida. Onde de repente se chega onde se programou, mas não se sai radicalmente do estado anterior.

No final conversamos um pouco com as convidadas que nos proporcionaram pensar em novas formas de alterar objetos dos atores, formas de fazer o som para que ele trouxesse um pulso mais sútil. Como tudo passou a ficar aparentemente mais palpável passamos a pensar sobre estilos de figurinos, cores, entre outras possibilidades que foram movendo os ensaios…

Um beijo e um queijo.

Ana Vitória Almeida – vihalmeid@gmail.com

Me chamo Ana Vitória, sou amante do teatro e a há alguns anos venho buscando inserir-lo cada vez mais na minha vida, me dedicando e me engajando para desenvolver habilidades dessa profissão. Minha formação artistica deu início por meio de cursos livres em 2011. Seguindo pelo CPBT (Curso Principios Básicos de Teatro) no Teatro José de Alencar, ministrado por Juliana Veras, em 2014; CLPT (Curso Livre de Práticas Teatrais), ofertado pelo Cangaias Coletivo Teatral em 2018; Habitat ano 02 – uma residência artística ofertada pela Inquieta Cia em 2019; Percurso Práticas do Ator ofertado pelo Porto Iracema das Artes, em 2019; cursando Licenciatura em Teatro no IFCE (2020), entre outras oficinas que continuo fazendo pela cidade.
Junto as formações alguns trabalhos foram desenvolvidos como conclusões de cursos e outros como projetos de contratação. Entre eles: Cia Mix da Alegria (2013 – 2014 / 2016 – 2017), Blitz Intervenções (desde jan 2018), Cadela Branca (2018), Rachel, no balanço de uma rede (2019), Pandemônios (2019), Monocromático (2019) e Cavalos – Marinhos (2019).

Fotos Alan Sousa