A dupla Enzo Antônio e Robson Araújo – estudantes do Porto Iracema das Artes, responsáveis pelo som direto do filme “Terral” criaram, a partir do roteiro, um estudo detalhado da proposta sonora. Abaixo, destaque de duas sequências trabalhadas pela dupla.

Enzo e Robson trabalham no desenvolvimento do mapa de som do curta “Terral”. Foto de Alan Sousa

 

  1. Apresentação do ambiente e personagens.

Roupas balançando em frente a câmera (nesse ponto as roupas já estariam estendidas e ela estaria tirando, pois seria fim de tarde e ela além de já ter lavado as mesmas já estariam secas), (observar a posição do sol – possivelmente na orla a esquerda) enquanto a roupas balançam ao vento, os créditos aparecem e desaparecem com o balançar da roupa, e vai incluindo o som que o vento faz quando passa pelas roupas estendidas, som do mar ao fundo, som do rádio (um pouco mais alto que o das ondas, incluir na pós), ouve-se a voz de Rute (vestida com um vestido vermelho – cor de Iansã e Santa Barbara – ou de azul – cor de Iemanjá – ou aquela cor de cru), conversando ou cantarolando a musica do rádio – ou os ritos cantados durante a missa de Santa Barbara (sendo nesse contexto, tem-se que se pensar se o filme inicia no dia 04/12 *ver com continuista, arte e produção). Ela retira o pano que esta em frente a câmera, um plano detalhe, som as costas da câmera, e os sons do radio e do mar, incluir posteriormente, vira-se e vai retirando outras roupas, e apresentando o cenário, o mar ao fundo, a lateral da casa (nesse ponto a câmera estaria em um ângulo em que mostrasse a janela lateral onde ficariam os gravetos), a varanda com a janela, em seguida a porta (de preferência dupla, com Maria na parte de cima da porta, e por fim Mateus, deitado na margem oposta e de costas).

Enquanto cantarola um canto, ou repete algum rito da missa, (um plano detalhe no rosto dela, com um ventilador grande para simular o vento contrário – observar inicialmente a direção do vento para que possa ser gravado o sentido oposto, possivelmente o vento estará soprando da direita para a esquerda – ponto de vista de quem esta olhando para o mar, nesse caso, não daria para balançar todas as roupas pois não haveria como, eis o porque do detalhe no rosto dela para que só os cabelos dela mudassem).

O plano aumenta para mostrar Rute arrepiando-se e esfregando o antebraço, quando o vento volta ao normal, ela olha em direção ao mar e corre em sua direção (a câmera teria que estar posicionada de modo que fosse possível ver o mar – desfocado – e manter uma cena só), corta-se e repete-se a cena de acordo com a perspectiva de Maria, Rute organizando os cabelos e nesse momento, uma rajada de vento derruba o radio da janela, nesse momento ela corre em direção ao mar. Maria ao ver Rute correr pergunta o que foi, e ao passar na janela lateral, nesse momento fala com Mateus que levanta assustado (na fala de Maria, gravar o som tanto com o boom quanto com lapela). Corta.

(gravar sons de panos ao vento, gravar a música q ela cantarola ou ritos da igreja para incluir na pós, e gravar mãos passando pela roupa ou o braço).

2

Cena inicia-se com os jangadeiros auxiliando Josué em sua jangada, e olhando para o mar com ar de preocupação, (som das ondas tanto na arrebentação, quanto batendo na jangada, e os jangadeiros conversando de forma indistinta enquanto ajuda Josué, em meio a essa conversa ouve-se o nome de Jonas) posicionamento de câmera ao lado da jangada (de costas para o sol de preferência, mas dependendo do posicionamento do mesmo então ficaremos em diagonal para o mar), de frente para Rute que vem correndo ao longe e inicia desfocada e vai entrando em quadro à medida que se aproxima enquanto foca em Josué enquanto retira sua rede com poucos peixes.

Ao chegar Rute esta cansada e ofegante, desesperada procurando Jonas (acredito que esse forte vento sacudindo a vela e causando rebuliço no mar não venha ser possível de ser filmado, mas o som de um vento mais forte pode ser incluído na pós). (gravar som ofegante de Rute, e som do vento em uma vela de jangada).

Quando Rute sacode Josué desesperada, o som das ondas e do vendo pode ser elevado ao ponto de não se ouvir mais as vozes dos jangadeiros e de Rute que grita. Nesse momento vê-se os filhos de Rute chegando (inicialmente desfocados como Rute), nesse ponto fecha-se em Rute, Josué e os filhos, para mostrar melhor seu sofrimento e o momento que seus filhos a seguram. (por mais que os filhos perguntem o que ouve, seria interessante manter o vento e o som das ondas mais alto para que pudéssemos entender a pergunta mas sem ouvi-la), (gravar alguém correndo na areia).

Sobre Enzo Antônio

Cearense, 30 anos e “fazendo arte” desde os 9, iniciou sua carreira musical ainda criança na Banda do Piamarta Montese e, algum tempo depois, entrou para o Grupo de Flautas Doces da referida instituição de ensino. Anos mais tarde, quando cursava Licenciatura em Matemática na Uece, foi convidado a tocar teclado em uma banda de rock composta por acadêmicos do mesmo curso, onde vieram a se apresentar no extinto festival Ceará Music no ano de 2010 após ganharem um concurso promovido pela Cidade FM. Também foi tecladista de outras bandas em anos seguintes, a última em 2017. Em 2018, concluiu com êxito o curso de sonoplastia pelo Theatro José de Alencar e, um ano depois, ingressou no curso de Audiovisual pelo Porto Iracema das Artes, onde participou da direção de som do filme “Terral”.