O tempo que não temos e nunca teremos para realizar uma montagem

O tempo insuficiente para profanar corpos, delirar nas palavras que se desordenam gerando uma nova ordem!

O tempo de que se arrasta em movimentos repetitivos, alinhados, compassados, frouxos, cansados, tensos, enlouquecidos

O tempo de uma guerra que se instaura todas as manhãs e que se finda ao iniciar a tarde

O tempo de corpos que doem pra caralho nas corridas

Nas palavras que travam na boca

Na busca por uma ação deslocada

No rebolar da bunda como um corpo que reivindica seu tempo de ser

Quatro tempos

Quatro deuses

Quatro cavalos-marinhos

Quatro porcos imundos

Quatro cigarros apagados

Quatro sádicos

Quatro atores tentando fazer com que o tempo caiba em um minuto de cena

Edivaldo Batista

Fotos Alan Sousa